
Contexto da Ação no STF
A Associação Brasileira de Psicologia do Tráfego (Abrapsit) decidiu recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a Medida Provisória 1.327, que introduziu alterações nas regras para a renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Essa regulamentação, que permite a renovação automática da CNH para condutores sem multas nos últimos 12 meses, elimina a obrigatoriedade de avaliações médicas e psicológicas. A ação foi protocolada como Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7924 e está nas mãos do ministro Flávio Dino.
O que diz a nova regra da CNH
A Medida Provisória 1.327, que foi promulgada em 9 de dezembro de 2025, revê a legislação vigente ao desobrigar serviços médicos e psicológicos para condutores registrados no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC). Essa mudança gera controvérsias, pois os profissionais da psicologia veem na desregulamentação um possível comprometimento da segurança no trânsito, uma vez que motoristas poderão renovar suas licenças independentemente de seu estado de saúde mental e físico.
Impactos na segurança no trânsito
A ausência de exames regulares pode prejudicar a segurança viária. Especialistas apontam que condições como a deterioração cognitiva e outras limitações de saúde não estão sendo devidamente monitoradas. A capacidade do motorista de operar uma máquina como um veículo pode ser diretamente afetada por tais condições, aumentando o risco de acidentes. Há uma preocupação crescente de que esta nova regra facilite a renovação de habilitações por indivíduos que podem não estar aptos a dirigir, o que poderia resultar em um aumento nas ocorrências no trânsito.

Positionamento da Abrapsit
A Abrapsit argumenta que a possibilidade de renovação automática sem avaliação médica ou psicológica não apenas compromete a segurança no trânsito, mas também favorece práticas irregulares. Em sua argumentação, a entidade evidencia que essa nova política pode deslocar a responsabilidade pela segurança viária para os condutores em vez de garantir um processo de supervisão profissional. A associação reivindica a suspensão imediata da nova regra, uma vez que considera os efeitos da medida como urgentes e já visíveis.
Preocupações com a saúde mental dos motoristas
A saúde mental dos motoristas é um fator crucial que não pode ser ignorado. Com as demandas e pressões do cotidiano, a capacidade de um condutor pode ser significativamente afetada por estresse, ansiedade ou outras condições psicológicas. A falta de exigências para exames pode levar à permanência de motoristas que não estão em condições ideais para dirigir. As avaliações periódicas são uma forma de garantir que os motoristas mantenham a aptidão necessária ao longo do tempo.
Possibilidade de fraudes na renovação da CNH
A medida que simplifica as renovações também levanta preocupações sobre a possibilidade de fraudes. Um dos riscos identificados pela Abrapsit é a potencial prática de passar multas para terceiros como uma forma de manter o histórico limpo e garantir a renovação automática sem a necessidade de exames. Essa prática não apenas melhora a situação de certos motoristas fraudulentos, mas também prejudica a integridade do sistema de habilitação.
Estatísticas de renovações automáticas
De acordo com dados do Ministério dos Transportes, na primeira semana após a introdução da nova regra, mais de 323 mil motoristas renovaram suas CNHs de forma automática, sem a realização de qualquer avaliação ou teste médico. Essa estatística ressalta a rapidez com que a nova norma foi aceita e a eficiência do sistema, mas também levanta bandeiras vermelhas para a segurança pública, evidenciando a necessidade de uma reavaliação por parte das autoridades.
Consequências legais de não realizar exames
As consequências de não realizar exames médicos e psicológicos na renovação da CNH são severas. Caso um motorista envolvido em um acidente seja encontrado inapto, as implicações legais podem ser drásticas, tanto para o indivíduo quanto para o sistema de transporte como um todo. As questões de responsabilidade civil e criminal podem emergir, criando um ambiente de impunidade e insegurança nas estradas.
A reação do público e das autoridades
A resposta à nova regra não tem sido uniforme. Enquanto alguns motoristas apoiam a redução da burocracia e a facilidade de renovação, especialistas em segurança e saúde pública se mostram alarmados com as possíveis repercussões. Autoridades de trânsito e psicólogos expressaram a preocupação de que a medida poderia comprometer vidas, com desdobramentos que seriam desastrosos para a sociedade. A resistência à medida cresce na medida em que emergem mais evidências contrárias à desregulamentação.
Próximos passos na batalha judicial
A instalação da ação no STF marca o início de uma batalha judicial significativa. A Abrapsit aguarda uma resposta que possa não apenas suspender a aplicação da nova regra, mas também abrir espaço para uma revisão mais abrangente da legislação de trânsito, visando garantir a segurança da população nas estradas. O desfecho desse caso poderá ter implicações duradouras não só para os profissionais da psicologia, mas para a forma como o sistema de habilitação é regulamentado no Brasil.